sábado, 1 de julho de 2017

A aventura de ter um 4º Filho - Conta o pai!


Quase 48 horas depois, conseguimos ter tempo para descrever como foi esta aventura, que isto de ter 4 filhos é outro campeonato... :)

Depois de ter falado na "segunda pessoa" quando fiz o post sobre o nascimento da Mafy, desta vez também quis explicar um bocadinho algumas diferenças... O que muda, agora...

O 1º parto tinha sido cesariana, o 2º foi marcado pela ansiedade de ter podido assistir, no 3º foi a velocidade de tudo ter corrido bastante rápido. Por isso, para este 4º tentámos mentalizar-nos para tudo!

Quando a Ritita me acorda às 6h da manhã e diz: "é agora", por mais mentalizado que se esteja e por mais que seja a 4ª vez, há sempre aquele formigueiro na barriga. Presente ao acordar. Ao pequeno-almoço. Quando pensamos que "vai acontecer!"
Temos que nos concentrar, pensar no plano para gerir as miúdas, o que seja mais favorável, e isto já compete ao pai, porque entretanto a mãe já está em respirações e a controlar dores - em modo parto. É ai que, mais uma vez, o pai começa a entrar em ação. Entretanto, como não podia deixar de ser, cá em casa as miúdas começam a acordar e tenta-se explicar o que está a acontecer. Dizem que querem ir para a escola (onde estão seguras e a sua rotina é igual. Como as percebo!).

Arrancamos para o hospital. A mãe entra. E o pai espera, no desespero que é aquela sala de espera, com mães a gemer e pais a roer unhas. Depois de umas 2 horas de espera, lá tenho autorização para entrar. E aqui, a diferença maior que noto é a tranquilidade! A nossa tranquilidade! A serenidade de se chegar a um sítio que é já nosso.
Ter o 4º filho permite-nos ter uma certa credibilidade no hospital e vivermos tudo com muito mais tranquilidade. As pessoas olham-nos com outros olhos. Já não somos os histéricos que fomos. Conhecemos o CTG, o que são contrações. Falamos quase de igual para igual:)

Lá dentro acabou por ser tudo muito rápido: entre entradas de enfermeiros, contrações e entradas de médicos, acabei por não estar nem uma hora na sala de dilatação com ela.
Avançámos para a sala de partos. E aí, é como se estivéssemos a ver um filme pela 2ª vez, ou pela 3ª... Sabem como é? Quando estamos menos ansiosos e reparamos em pormenores e diálogos que não tínhamos reparado da outra vez?

A minha querida esposa dominava a situação, mostrando que sabia o que devia fazer na altura certa. Que orgulho que senti na sua confiança, no seu controlo, na sua força!
E os médicos e enfermeiros não paravam de nos dizer que assim era mais fácil, com quem já sabia o que vinha fazer. Desta vez foi tão especial, que quando vi a cabeça a sair, mesmo antes dele chorar, confesso que desta vez tive "tempo" de me emocionar!
E não, não foi por ser um rapaz.... Foi porque pude apreciar o milagre que é trazer uma vida nova a este mundo. Fiquei com lágrimas nos olhos.
Não foi como nos filmes: não houve gritos, gotas de suor, máquinas a apitar. Foi um momento nosso. Especial!

Muito se tem falado de parto humanizado e natural. Das mães serem ou não dirigidas. De invadirem a privacidade. Da postura de médicos e enfermeiros. Mas a partir do momento em que eu vou para o hospital, eu quero ser dirigido. E apesar de ser uma privacidade diferente, em todos os momentos me senti acompanhado e com pessoas que sabiam o que faziam. Também existem por lá os técnicos de mau humor, mas tivemos sempre a sorte (ou a graça) de sermos acompanhados por pessoas humanas, que também partilham um pouco da sua vida...
Sei quantos filhos tem a enfermeira que teve connosco.
Sei quantos filhos quer ter a doutora, que se casou neste mês de setembro e que sonha com os seus próprios filhos.
Sei quantos partos fazem por dia.
Sei quem são. Não são - eles os médicos - um número para mim. São pessoas reais com fragilidades, mas com qualidades.
Quando me despedi destas pessoas - estranhas para mim - mas que partilham um momento especial, tive vontade de as abraçar para lhes agradecer.
Alem disso, isto de ter o 4º filho dá-nos ainda outros privilégios, pelo que ainda nos deixaram tirar uma fotografia com a criança ainda quentinha!




Depois o reverso da medalha é termos que gerir as outras 3 pestinhas que temos cá em casa. Os seus desejos. As suas ansiedades.
Mas têm-nos surpreendido tanto nestes dois dias!...

A Guigas, sempre mãezinha, a querer tomar conta dele e de todos. A explicar o que faz. A ter que dominar a situação.

A Mafy, que apesar de não querer pegar, devagarinho, primeiro faz uma festinha. Depois já quer dar um beijinho e depois dá muitos... E só sabe falar do mano Martim.


E a Matilde, que depois da aventura na ecografia, revelou um imenso carinho, ternura. E um desejo muito grande de ser irmã mais velha de dois. A fotografia não consegue captar toda a ternura do olhar dela.



E nós? Nós cá vamos ficando a babar, para esta família... que estamos a começar a construir!

5 comentários:

  1. Pertencendo a essa casa até ao final do ano de 2016, fico tão nostálgico e emocional ao ler este texto. Obrigado por nos darem esta alegria.

    ResponderEliminar
  2. Parabéns a todos, pais e M's :)
    Que Deus vos abençoe ♥

    ResponderEliminar